Comum-idades, uma verdadeira comunidade é constituída por seres que têm idades em comum, isto é, por seres que estão passando pela mesma etapa do ciclo involutivo-evolutivo, e por isso têm consciências, energias e aspectos semelhantes; que se traduzem em intuições, ideais, objetivos e realizações comuns…
Agora, que estamos concluindo (os que estão concluindo) uma etapa do ciclo de individuação da mente racional lógica, com a correspondente faculdade de pensar com a própria cabeça, tendo já passado pelos ciclos da mente racional emotiva e da mente racional instintiva, e iniciando o ciclo da mente racional intuitiva, que nos leva a reconhecer que por mais que se conheça há sempre um infinito para ser conhecido, e a passar por uma fase de desapego de todo o tipo de formas e entrega ao próprio centro, encontrando todos em si mesmo, neste coletivo unitário, espiritual, global…
Agora estamos sendo atraídos por este centro comum, que já contém em si, em síntese e em abstrato, todas as etapas deste novo ciclo, cabendo-nos a nós, aqui, na periferia, interpretá-las, desenvolvê-las e concretizá-las.
Assim, gradualmente, se vão plasmando as intenções, as ações e as obras.
Exponhamos então as ideias que vão surgindo nas nossas mentes, ideias intuídas, ideias para ativar e objetivar este novo modo de estar, de sentir e de viver.
A nova civilização já está em gestação… a civilização gerada e sustida pela nova consciência… pela consciência espiritual, integral, sintética e harmoniosa…
Como é natural, esta consciência espiritual observa tudo de uma perspectiva global, verificando como as diversas partes se relacionam entre si e se ligam com o todo, captando o “eco”-“lógico” da Natureza.
Verifica como no ciclo de individualização da mente racional lógica, analítica, separatista, competitiva e guerreira, o excesso de individualismo levou ao egoísmo e consequentes desequilíbrios em todo o tipo de relacionamentos, provocando injustiças, pobrezas, guerras, destruições e crimes. Verifica o quanto é preciso reequilibrar e reconstruir. Mas também verifica tudo quanto de positivo foi criado e desenvolvido nesse ciclo civilizacional, e aproveita-o, adaptando-o à nova civilização emergente.
Como é natural, esta consciência integral, considera todos os aspectos de todos os seres, observa a sua constituição e o modo como se interrelacionam, observa as suas semelhanças e as suas diferenças, observa como a essência, energia e forma, existentes em todos os seres, são aspectos relativos e intermutáveis.
Assim, esta consciência sintética promove os meios mais adequados ao desenvolvimento desses aspectos, espirituais, anímicos e corporais, estimulando a atenção, o alinhamento e a sincronização em todo o ser.
Assim, esta consciência harmoniosa dedicadamente propaga o amor, transmuta os opostos em complementares, equilibra os relacionamentos e estabelece a paz.
É com esta consciência que precisamos intuir, pensar e trabalhar…
Mais do que refletir sob, sobre e com os conhecimentos adquiridos, imaginemos prospectivamente a verdade, para que a verdade, preservada nos eternos arquétipos, criados com ampla sabedoria, se possa manifestar neste tempo e neste espaço…
A pesada herança dos padrões comportamentais provenientes do reino animal, ainda nos está influenciando… o comermos-nos uns aos outros, a apropriação de um território e seus habitantes, a manutenção do poder através da força… tudo isso, que serviu para a aceleração do desenvolvimento do intelecto, está agora provocando uma tremenda crise planetária, está chegando portanto o tempo da transmutação… e o início de um novo ciclo…
Talvez nos caiba lançar alguns dos fundamentos para este novo ciclo, para esta nova civilização…
Encontremos então esses fundamentos e observemos a sua ordem de manifestação.
A mente racional intuitiva, que é espiritual, global, sintética, ecológica e harmoniosa, considera os seres na sua integridade (espírito-alma-corpo, físico-emocional-mental-intuitivo…) e promove corretos relacionamentos entre o todo e as partes, e entre o centro e periferia…
Para o seu desenvolvimento são necessários ambientes adequados, que possibilitem o desabrochar de todas as potencialidades do ser integral, que somos, e de relacionamentos harmoniosos entre todos os seres de todos os reinos, baseados no amor, na sinceridade e no respeito mútuo. Ambientes de cooperação, em que cada um procure dar o seu melhor para que haja um acréscimo do bem comum, estabelecendo corretas relações com tudo e todos.
Neste ambiente todos os componentes do ser são equilibradamente chamados ao trabalho de auto desenvolvimento e ao serviço altruístico, numa progressiva consciencialização de unidade.
Assim, a integridade, que somos, tem de estar presente, pois só com esta integridade podemos aceitar-nos uns aos outros e viver alegremente em harmonia…
Assim, para a evolução espiritual são propostas a oração, a meditação, o Evangelho no Lar e a contemplação como meios de cada um se encontrar a si mesmo e encontrar também os outros, em unidade, amor e atividade. Para a expansão anímica são proporcionados meios facilitadores de uma ampla comunicação, são convívio, cultura, estudo e divulgação. Para o crescimento corporal são promovidas diversificadas atividades nas quais se procura uma interligação e empenhamento dos vários aspectos da personalidade humana (físico, emocional, mental, intuitivo, …).
Devido às características das cidades, é provavelmente mais fácil desenvolver estes ambientes no campo.
Tendo em atenção a característica coletiva da mente racional intuitiva (pelo menos nos seus primeiros estágios de desenvolvimento), a herança individualista da mente racional analítica, e as influências da mente racional emocional e da mente racional instintiva, que apesar de antigas ainda continuam em desenvolvimento, alguns modelos e mistura de modelos de novas comunidades podem surgir:
Comunidades em que o fator coletivo é predominante.
Comunidades onde o processo de individualização ainda está bastante presente.
Comunidades que conjugam as necessidades individuais com as aspirações coletivas.
Assim, nas comunidade cujos membros estejam fortemente unidos por intuições comuns, constituindo coletivos coesos, onde os seres livres voluntariamente se integram, a maioria dos bens são comuns (fundos monetários, terrenos, cultivo agrícula, infraestruturas, oficinas, produções, edifícios, alojamentos, refeições…), pois que a noção, o sentimento e a sensação de posse estão transcendidos, podendo no entanto coexistir com algumas utilizações individuais (dinheiro, habitações, veículos, alimentação, vestuário, …).
Estas comunidades são organismos vivos, por isso a sua composição e hierarquia são naturalmente orgânicas, cada elemento encontra a sua função e procura viver em harmonia com todos os outros, a circulação interna de elementos, de informação e de formação é bastante desenvolta e cooperante. Reúnem-se frequentemente. Encontram plataformas de entendimento e de decisão baseadas numa intuição que busca a verdade e atinge o consenso. As normas do seu funcionamento são simples e versáteis, adaptando-se às situações e aos seres nelas envolvidos.
Tal como em todo o sistema organizado, também aqui existe um centro coordenador, um meio transmissor e uma periferia, porém como a comunicação e interação entre o centro e a periferia e a periferia e o centro, passando pelo meio, são bastante amplas e profundas, a diferenciação entre estes três componentes deste tipo de comunidades é miníma.
Com uma consciência espiritual compreende que existem comunidades dentro de comunidades, dentro de comunidades, … por isso respeita e relaciona-se corretamente tanto com as pequenas comunidades que coexistem no seu interior como com as comunidades maiores nas quais participa. Verifica a existência das várias civilizações existentes no Planeta e, sem se confundir, e sem procurar supremacia, estabelecendo as adequadas distâncias e proximidades, preservera no desenvolvimento da civilização, intuitiva, a que realmente pertence.
Diversificadas são as suas áreas de interesses e de atividades, mas, mantendo a visão do conjunto, integra-as num todo coeso, estabelecendo os adequados intercâmbios.
Com a consciência sintética estuda as variadas culturas, sistemas e disciplinas, encontrando os pontos de convergência e de unidade. Selecionando e remodelando as teorias e práticas que mais lhe convêm.
Com sentido ecológico lida respeitosamente com todos os “Reinos” da Natureza tendo em consideração a integridade de todos os seres (consciência-vida-manifestação) e os seus ciclos e modos de existência, cuidando do bem estar de todos, alimentando-se qualitativamente de acordo com a sua consciência e promovendo a saúde em si e em todos. Lida com os recursos de um modo sustentável, procurando fontes renováveis e reciclando o máximo, tendo em atenção a dupla característica de todos os sistemas, fechado e aberto, como sistema fechado tem o seu ciclo de vida, nascimento, crescimento, maturação e morte mas como sistema aberto o seu ciclo de vida está dentro de um outro ciclo de vida mais amplo, e também contém em si outros ciclos de vida mais restritos.
Com harmonia expande a arte e a beleza em todas as suas atividades e construções, conjugando o rigor utilitário com a liberdade criativa, de modo a que possam ser expostas e apreciadas com conforto e agrado. Variados eventos culturais, participados pelos membros, convidados e visitantes, são promovidos com regularidade.
Com a perspectiva de globalidade, disponibiliza ao mundo o que é, o que aprende e o que realiza, e aceita o que o universo lhe traz, integrando os elementos que consigo se afinizam.
Considerando que o dinheiro, tal como tudo o mais, tem 3 aspectos, essência-energia-forma, procura lidar com estes 3 aspectos de modo equilibrado; como essência é livre, não pertence a ninguém e por todos pode ser utilizado, quanto mais exata for a consciência do propósito do seu correto uso, e quanto melhor se integrar no processo de desenvolvimento geral, mais facilmente pode ser concentrado e expandido, recebido e doado; como energia flui, com as adequadas estruturas é captado e canalizado para onde faz mais falta e para a construção das necessárias obras; como forma pode ser medido, tanto quantitativa como qualitativamente, atribuindo valores, mais ou menos definidos, aos intervenientes, ao trabalho e aos produtos, promovendo trocas justas. Com natural desprendimento, o dinheiro é utilizado principalmente pelo e para o coletivo, incluindo, evidentemente, as várias necessidades individuais.
A noção de família torna-se alargada a todos os membros da comunidade, as crianças, consideradas filhas do Universo, são da responsabilidade de todos, e por todos são amadas e respeitadas, e embora no período a seguir ao nascimento a função dos pais seja importante, estas funções vão sendo gradualmente alargadas aos vários membros da comunidade e aos ambientes especiais adequados ao seu desenvolvimento.
Embora possam existir casais baseados na afinidade, o processo mais natural, para seres livres de posses e de preconceitos, é o da partilha de si mesmos e o enriquecimento dos relacionamentos, inclusive os sexuais.
Vivendo com a consciência no presente, o seu futuro está mais ligado aos eternos arquétipos, do que dependente do passado. E embora haja alguma programação, ela é constantemente adaptada à realidade que vai sendo constatada. A espontaneidade intuitiva provê a maioria das soluções.
Os limites (tempo-movimento-espaço) da comunidade são simplesmente uma referência relativa, para facilitar a sua identificação, pois que esta verdadeira comunidade vai além de todo e qualquer limite…
As comunidades onde já se ouve o chamamento intuitivo, mas em que o processo de individualização ainda está bastante presente, em que o auto conhecimento e a auto realização constituem um objetivo a atingir e cada um precisa aprender a gerir os seus recursos e a desenvolver autonomia, procurando independência e liberdade, são essencialmente fundadas para possibilitar um ambiente mais liberto dos antigos padrões civilizacionais e onde novas experiências vivenciais possam ser desenvolvidas.
Assim, os elementos que se encontram nessa fase involutiva-evolutiva agrupam-se, constituindo determinado tipo de organização, abraçando algum ideal ou conjunto de ideais que os mantêm unidos.
Como comunidade, com tendência para o coletivo, criam as estruturas que permitam uma vivência em comum, tais como espaços e tempos de reunião e de partilha, mas como indivíduos necessitam de se movimentar ao encontro de si mesmos, por isso reservam momentos e ambientes para o fazerem, em habitats próprios e personalizados. Como a ideia, o sentimento e a sensação de posse ainda não estão completamente transcendidos, ainda lutam pelos “seus” ideais, procuram manter os “seus” relacionamentos e preservar as “suas” propriedades.
Como as suas mentes ainda são bastante discursivas, e apesar de partilharem ideais comuns, nem sempre estão de acordo, e embora procurem atingir o consenso, algumas das suas decisões coletivas têm de ser tomadas por votação. A sua orgânica, algo artificial, sustentada por uma hierarquia de competências, gere o funcionamento comunitário através de normas, mais ou menos rígidas.
Os conflitos, resultantes das divergências a das tendências de auto afirmação, certamente que causam transtorno ao bom funcionamento comunitário e familiar, mas, como a aspiração à harmonia também está presente, vão-se pacientemente resolvendo.
Porque estas comunidades são constituídas fundamentalmente com base em ideais, e porque dificilmente esses ideais conseguem sintetizar todo o âmbito da etapa involutiva-evolutiva em que se encontram os seus elementos, estas comunidades atraem e agrupam os elementos que estão desenvolvendo determinado fator involutivo-evolutivo, tornando-se assim predominantemente ou espirituais, ou culturais, ou socializantes ou produtivas, ou algumas combinações destes fatores.
Curiosas por natureza, desenvolvem amplas pesquisas nos temas do seu maior interesse e naturalmente procuram colocar em prática aquilo que vão aprendendo, recolhendo um enriquecido conhecimento através das suas vivências.
A troca de informação, tanto no seu interior como com comunidades semelhantes, é amplamente valorizada, e a competitividade caminha lado a lado com a cooperação.
Estas comunidades tendem a tornar-se um pouco fechadas em relação ao exterior, procurando ser auto suficientes, pois que o processo de individualização e diferenciação existente nos seus membros é transferida para o coletivo. Porém, devido a várias necessidades, têm de manter relações com aquilo e aqueles que pretendem rejeitar.
Embora possa haver uma reserva coletiva, o dinheiro e demais objetos são considerados como pertenças individuais, tendo cada um direito a geri-lo do modo como melhor o entender.
A família, continua sendo constituída por casais, que eventualmente se fazem e desfazem, durando mais ou menos tempo, devido à consumação dos processos de individualização com as consequentes separatividades, auto afirmações e conflitos. Como ainda julgam que os filhos são seus responsabilizam-se, individualmente, pelo seu conforto, saúde e educação, mantendo alguma preocupação quanto aos berçários, escolas e demais pessoas que com eles lidam.
Efetuam projetos baseados nos seus ideais e tendo em consideração os conhecimentos adquiridos, separando do convívio os que também amam, de forma direta ou indireta.
As comunidades cujos membros estão finalizando o processo de individualização, de estruturação da mente racional lógica e iniciando o processo de desenvolvimento da mente racional intuitiva são fundadas e desenvolvidas em estado de crise, oscilando entre as tendências individualizantes e as coletivizantes. Grande parte dos membros destas comunidades estão passando por uma fase de desapego às formas (materiais, emocionais e mentais), pois que estão sendo atraídos pelo seu centro espiritual, através da sua alma. Este novo campo de consciência intuitiva assenta numa alma coletiva e familiar, pois que são raros os seres, neste planeta, que já têm um corpo racional intuitivo individualizado.
Estas comunidades mais heterogéneas, em que alguns membros têm tendências coletivas e outros individuais, têm de encontrar a harmonia em si mesmas para poderem prosseguir, assim a tolerância é desenvolvida, permitindo uma maior variedade de situações vivenciais.
Neste tipo de comunidades podem coexistir em vários graus aspectos dos dois tipos de comunidades acima referidos. Cada uma destas comunidades encontra as suas próprias soluções, podendo a sua orgânica e essas soluções variar consideravelmente de comunidade para comunidade.
Algumas destas comunidades, nomeadamente as de carácter espiritual, são fundadas e mantidas por um “guia”, que assume a liderança e define as linhas da sua orgânica e estruturação, pois que os elementos que as constituem, devido à fase de transição em que se encontram, necessitam de uma referência, ainda externa, que polarize as suas aspirações e lhes forneça uma orientação. Estas comunidades, bastantes dependentes do seu guia, assumem as características desse ser, normalmente involutiva-evolutivamente mais avançado, e dependendo da sua capacidade atrativa e manifestativa, podem ter várias dimensões e potencialidades.
Por isso a importância de aceitarmos Jesus como nosso guia, aceitar seu evangelho como mapa.
Claro que é difícil encontrar modelos de comum-idades puros, o mais provável é que haja uma combinação destes três modelos aqui apresentados nas comunidades que já se formaram, que se estão formando e que se formarão, embora um deles possa ser o predominante.
Por isso a importância de formarmos a nossa comunidade familiar, baseada no amor, compreenção, indulgencia , humildade e muito perdão.
Temos que ter coragem de aceitar o outro, temos que nos perdoar para podermos perdoar nossos companheiros de jornada.
Vamos valorizar nossas comunidades, pois nada é por acaso!.