Na longa introdução de O Livro dos Espíritos, os Orientadores espirituais incumbidos de trazer aos homens o Consolador prometido por Jesus destacaram o objetivo do seu trabalho:
“[...] Nele pusemos as bases do novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade. [...]
Significa, tal propósito, transformar a Terra, moralmente classificada como Mundo de Expiações e Provas, em que predominam o orgulho, o egoísmo e a violência, em Mundo de Regeneração, onde o homem, animado do desejo de aprimorar seus valores morais, substitua o orgulho pela humildade, o egoísmo pelo amor ao próximo, a violência pela fraternidade.
Convictos de que somos seres imortais, em constante processo de evolução com vistas à perfeição espiritual, como nos ensina a Doutrina Espírita, o caminho natural que nos cabe seguir, a par da busca de novos conhecimentos, é o da conquista de novos valores morais marcados pelo exercício da fraternidade.
Esse novo edifício, todavia, que há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade, não se erguerá por simples concessão. Deverá, sim, ser construído por todos aqueles que pretendam nele habitar, sendo fruto do esforço renovador de cada um em aprender a amar ao próximo, a querer bem ao semelhante, independentemente das diferenças de raça, povo, religião, opinião, condição social, econômica ou cultural. Será também o resultado da nossa capacidade de conviver fraternalmente com todos aqueles que a Providência Divina coloca ao nosso lado na grande caminhada de redenção humana e espiritual. Será, numa palavra, obra de nosso firme propósito de viver a Caridade como a entendia Jesus: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas”.
Somente pela prática plena da Caridade, vivenciando a Fraternidade, poderá o homem conquistar sua libertação do círculo vicioso da dor, do sofrimento e da violência.
“Fora da caridade não há salvação”, proclamam os Espíritos Superiores. Vamos construir a Paz, promovendo o Bem e praticando a Fraternidade.
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Livro dos Espíritos. Edição Comemorativa, questão 886.
² Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XV, item 10.