“Caminhante, os teus passos
são o caminho, e nada mais
Caminhante não há caminho:
Faz-se o caminho andando.”
Antonio Machado poeta espanhol
“Peregrino, em sua jornada você
pode viajar grandes distâncias porque
o caminho é longo para descobrir quem você é.”
Enya – trecho da música “pilgrim”
“Aquele que anda no rastro do outro não deixa pegadas.”
Provérbio de origem desconhecida
Em nossa vida, fazemos muitas escolhas. Algumas delas parecem-nos tão óbvias ou trazem consequências tão grandes, que pensamos no destino, na fatalidade ou no “estava escrito nas estrelas”.
No entanto, o único caminho que está demarcado em nossa vida é o passado. O futuro é consequência do que escolhemos e, portanto, um caminho em branco, livre para ser trilhado.
É nesse sentido que o poema de Antonio Machado afirma que fazemos nosso caminho ao andar, dado que ele não existe.
Nosso caminhar na vida deixa marcas em nós e nos outros. Essas marcas participam da constituição de nossa personalidade e de nossas relações sociais ou famíliar.
Aquilo que deixamos para trás não some para sempre. Fica em nossas lembranças, em nosso corpo, em nosso espírito. Dificuldades e barreiras não superadas continuarão a aparecer em nossa frente. É por isso que a metáfora da peregrinação é válida para nossa vida. Caminhar é descobrir-se, não importa o tempo que leve, como diz a letra da música da Enya.
Nós somos livres para decidir, então, o que queremos fazer com essa caminhada. Poderemos repetir o que os outros fazem e e nada criamos. Poderemos rastejar deixando nossas marcas no chão. Mas poderemos como o besouro, depois de algum tempo rastejando, sair voando e procurar novos lugares, novas descobertas, novas experiências e deixarmos nossas marcas em outros chãos…
Sempre procurando resgatar nossas trilhas passadas, e como o caminhante, poderemos voltar a ver nossos rastros e vestígios, usando essa experiência para caminharmos com mais segurança para uma vida melhor e quem sabe resgatarmos nossas dívidas.