O excesso de intimidade e a convivência por muitos anos com a mesma pessoa podem matar o sexo?
Por que a vida sexual muda com o passar do tempo?
Por que tantos casais se separam?
Como se manter fiel num mundo onde há tantas opções e tentações?
Um velho e fatalista dito popular diz: “Sexo é bom, até que as pessoas se casem”.
Leia-se, aqui, casamento como união estável, pessoas que moram juntas, sem a necessidade de “papel passado”.
Passar a conviver com alguém, requer negociação, ajustes. É muito diferente de se encontrar só para namorar e fazer sexo.
Nos encontros, todos nós procuramos estar despreocupados, cuidadosamente “produzidos” “armados para caçar” e dispostos para a intimidade. Já na vida em comum, muitos outros momentos, mesmo os desagradáveis, passam a ser divididos, o tempo todo. E nos esquecemos dos artifícios usados para nos aproximarmos no começo da relação, sempre estamos cansados e culpando o nosso companheiro por todo os problemas e estresse do dia-a-dia.
E não há um filtro desta ou daquela situação: ou se vive sob o mesmo teto e se compartilha tudo ou não se vive.
Casamento é muito mais do que sexo. Ele envolve a administração da convivência diária, das tarefas rotineiras do dia-a-dia, do confronto de opiniões, de gerenciar a casa, a criação dos filhos, a empregada, o emprego, e muito, muito mais tarefas e obrigações. Por isso, estar disposto no final da noite para um transa maravilhosa, depois de um dia cheio, é uma arte.
No namoro, o sexo pode ocorrer livremente, a qualquer hora e em qualquer lugar, sem pudor sempre aberto a novas fantasias e experiências.
Os pares se preparam, se perfumam, passam o dia na expectativa de encontrar um ao outro.
O casamento impõe que qualquer episódio da vida seja vivido às claras.
Um está diante do outro, e vice-versa, nas mais inusitadas situações.
Todo o glamour e os mistérios daqueles que não se conhecem profundamente vão se quebrando. A magia se desfaz porque, de repente, se percebe que há um ser comum ao lado, o qual come, dorme, reclama, tem suas preferências e manias, coisas que no namoro não são percebidas ou valorizadas.
Os casados, antes de uma noite de sexo, já discutiram durante o dia as contas a pagar, o cano que rompeu, a empregada que faltou, eu dei mais grana que você e etc e tal. Daí a necessidade de se preparar e abstrair o “doméstico” o “profissional” para ter prazer a dois. “Alguns casais conseguem, outros não”,
hoje há pessoas que esperam resgatar no casamento tudo que deu errado em suas vidas até então. E, obviamente, essa expectativa tão elevada aumenta as chances de frustração.
Ainda tem as pessoas pseudo-francas, que sempre falam a verdade, que insiste em contar todas as suas experiências mais íntimas, fantasias sexuais que teve com outros parceiros, minando a frágil confiança que está surgindo no novo relacionamento, plantando a desconfiança e o ciúme. Mas para elas isso é fato que tem que ser notório ao novo parceiro, pois acha que esse tipo de sinceridade vai fazer o novo parceiro dar mais credibilidade, pensemos como nos sentiríamos com essa informação antes de nos abrirmos demasiado ao nosso parceiro, segredo de alcova deve ser mantido lá, não devemos discutir na sala o que fizemos no quarto. Devemos sempre ficar com o pé atrás das pessoas que são demasiadamente “francas”, que falam sempre a verdade.
Afinal, o que é verdade?
“Toda a energia canalizada para a tentativa de que o casamento compense as mazelas da vida, muitas vezes anteriores ao casamento, só atrapalha.
Algumas pessoas esperam o amor incondicional para aliviar a sensação de ‘nunca terem sido amadas realmente, não terem sido a preferida pela mãe, pelo pai ou na escola’.
Enfim, pessoas que precisam acreditar que encontraram alguém que, finalmente, vai fazê-las superar todas as suas angústias e realizar tudo o que não realizou ou não foi”.
Esse equívoco é explicado pela paixão, que induz à falsa impressão de que o outro é capaz de preencher todos os espaços e buracos internos que carregamos.
“Sob o estado da paixão, o mundo em volta desaparece. Mas esse estado é fugaz e raramente resiste ao impacto de outras demandas do cotidiano”.
Especialmente para as mulheres, a constatação de que não existe mágica que perdure, traz muita frustração.
Para o homem, a impressão de que perdeu sua liberdade e que agora é julgado a todo o momento é o que mais incomoda.
Então, não há solução?
Sim, há. Ela está na disposição e no talento das pessoas em encarar e resolver situações conflitantes, antes mesmo do casamento.
“Antigamente, o marido não era escolhido pela moça, mas era trazido pela família dela e o entendimento entre eles só poderia ou não ocorrer a partir do casamento. Hoje, as pessoas são livres para escolher os pares e expor suas opiniões durante o namoro.
Ótima condição para antecipar os entendimentos. Por que contemporizar até o casamento para expor questões conflituosas?
Uma vez casados, nenhuma mágica vai “dissolver” as diferenças. Ao contrário, novas situações irão se impor. Então, quanto antes se encarar e construir uma relação franca, mais saudável será o relacionamento.”
Quando se fala em sexualidade no casamento, esbarra-se em questões comportamentais. Afinal, trata-se da convivência diária de duas pessoas diferentes, que vieram de famílias, modos de vida e pareceres diferenciados e que, de uma hora para outra, vão construir uma nova história, uma nova relação.
“É recomendável que o casal procure estar em sintonia, atualizando um ao outro sobre o que está acontecendo, o que agrada ou não, como se sentem.
Não resolve passar por cima de si próprio para não magoar, não constranger, achando que “depois as coisas se resolvem”. Ou deixando a situação ficar por um fio e aí desabafar com agressividade. O conhecimento se faz passo a passo e se torna mais difícil depois que formamos nossa imagem, conseguir modificá-la. É possível desfazer essas impressões, pois quem não está disposto a mudanças fica estagnado, reclamando e vendo o tempo passar, ou dando ouvidos aos amigos que como nós se tornaram infelizes e incompletos, sempre destilando venenos que nos induzem a perder nossos mais íntimos sonhos.
O ideal é ser natural e honesto, o máximo que conseguirmos.
Não há mágica nenhuma depois do casamento que conserte o que não está dando certo. Convivência é sinônimo de construção, organização, diálogo e disposição para o entendimento.
E uma boa vida sexual depende de uma boa convivência.
Homens e mulheres se expressam de maneiras diferentes
O interesse sexual do homem e o da mulher são diferentes.
O hormônio da mulher agrega. Por isso, ela pode não ter muita objetividade de escolha, mas tem amplitude, consegue distribuir o afeto. Já os homens são muito objetivos, certeiros, tendem a ir diretamente ao ponto.
“Se a mulher, no cotidiano, consegue se vincular a várias atividades simultaneamente, na relação ela reage da mesma forma. O homem é genital por excelência. O sexo para ele é penetração. Já a mulher gosta de preparar o encontro, no dia-a-dia. Não estou falando das preliminares. A mulher tem preferência a sensualidade o tempo todo, independentemente do ato sexual.
Se não encontra ressonância para essa situação, ela vai se decepcionando e se fechando sexualmente”.
É uma questão de se permitir mudar o ponto de vista. O que falta é abrir a cabeça”, Para isso, é fundamental que a mulher se conheça melhor, se auto-estimule, se toque, se dê o direito ao prazer.
E os homens, como se sentem?
Por outro lado, os homens acham a conversa da mulher pouco objetiva, cheia de atalhos, um assunto leva a outro…
E eles não conseguem entender aonde ela quer chegar. Eles relatam que as mulheres estão menos disponíveis para a transa, estão sempre cansadas, com questões do relacionamento pendentes e usam a cama para tratar dessas questões.
“Eles consideram que a cama é lugar de proximidade física e que a intimidade e o sexo podem resolver ressentimentos”,
“Muitos me dizem: ‘Na época do namoro, eu tinha uma princesa ao meu lado. Agora tenho uma bruxa, que só reclama e me coloca como réu, como se eu fosse o culpado de todo o mal que acontece a ela’.”
Na verdade, esses homens, quando meninos, foram paparicados por suas mães. “Nós mulheres nos armamos esta cilada: mimamos ao extremo nossos filhos homens e como maridos queremos homens maduros, carinhosos e que eles nos mimem”.
Mas é sempre assim?
Como será o futuro?
“Atualmente os casais estão se unindo cada vez mais tarde, quando mais maduros e resolvidos profissionalmente. Com isso, a maternidade também é adiada. Os casais estão passando a viver mais tempo sem filhos. Talvez o panorama mude. Talvez estejamos entrando numa fase em que a mulher se permita mais tempo para si e para o seu prazer, inclusive sexual.”
Quando chegam os filhos…
A Natureza, sábia, protege a cria, direcionando a mulher para a maternidade, devido a seus hormônios, aspectos culturais e psicológicos. Diante da maternidade, o sexo passa para segundo plano. O nenê nasce, vem a amamentação. De novo o bebê é o foco principal da atenção da mãe. O pai, nessa fase, pode sentir ciúme e se distanciar, o que representa mais um elemento para complicar a sexualidade.
A criança cresce e demanda atenção, a partir de então o casal teme ser pego em ‘atitude suspeita’. “Antes, a casa toda era palco para a atividade sexual. Agora, o espaço está restrito à cama, ao quarto, de preferência com a porta trancada.
Além disso, a mulher tem, no cuidado com o filho, mais uma tarefa”,
Preserve seu “Jardim Secreto”
Todo casal precisa aprender a preservar seu “jardim secreto”, ou seja, um “espaço” onde os momentos de intimidade, reflexão e também de privacidade sejam só dos dois. Entretanto, eles não devem estar juntos o tempo todo, pois a individualidade é outro aspecto a ser valorizado.
Pode parecer uma coisa tola, mas estar com alguém não significa estar sempre, a todo momento. Valorizar a cervejinha com os amigos, as partidas de futebol, o passeio no shopping, a reunião com as amigas, além de investir na gentileza, no companheirismo e no diálogo são sinais explícitos de amor ao outro, o que se reflete diretamente na qualidade do relacionamento sexual.
Vamos refletir sobre nossos ignorâncias e medos, pois podemos nos relacionar melhor com nossos parceiros e ajudarmos a restaurar a instituição chamada “família e lar”.
Muito bacana o teu artigo sobre o casamento.
Admiro quem consiga fazer o que está ali escrito, inclusive achei as dicas muito úteis, muito práticas. Apenas considero que poucas pessoas tenham essa persistência, já que vivemos num mundo speed, onde tudo é de superficial, como flores de plástico. Quantos realmente estão a fim de mergulhar nas profundezas de seu própio ser ? pra falar a verdade, acho que muito poucos… Bj
Puxa amigo! Que belos artigos! Amei todos!! Pelo visto vc está vivendo o melhor de sua espiritualidade… tudo a ver com meu momento… adorei! Gostaria de saber como vc está. Manda notícias tá? Grande beijo e saudades!